quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Impeachment ou democracia.

Sou contra o impeachment nestas circunstâncias. Ponto. Escolher a favor dele é esganar a democracia, ou o que ainda resta dela.

Deveríamos todos sermos contras. A maioria fez a escolha para o país, na eleição passada. Não há novidade alguma quanto a corrupção em relação à Presidenta. O que se sabia lá, sabe-se agora.

Precisamos ser coerentes para o bem da democracia. Lutamos para o voto direto escolher nosso representante. Assim fora feito.

O impeachment é o instrumento para destronar o corrupto. O comprovadamente corrupto, assim como foi Collor. Provas concretas vincularam seu nome aos crimes. Embora uma parcela significativa da população assim deseje, nada de concreto vincula diretamente Dilma com a corrupção. Pelo menos por enquanto.

Pedir impeachment hoje é banalizar o instrumento.

Então o que há de novo para este aumento de insatisfação. Podem ser diversos os motivos, mas eu assinalo dois.

Primeiro, o sentimento de "traição" que já vi manifestado por alguns petistas em relação ao discurso apregoado na campanha, e as ações do governo.

A isto dá-se um nome: desilusão. E, sim, a candidata mentiu na campanha. Porém, não cabe pedir impeachment por desilusão, muito menos por mentir em campanha.

Segundo motivo. As ações e os números do governo que indignam tanto uma parte dos que votaram quanto aqueles que optaram pela mudança. Eu não vejo como um motivo muito plausível, pois nada mais nada menos, é a pratica da gestão do governo. Boa ou má, o tempo dirá.

Assim como na desilusão, qualidade de gestão não pode ser objeto de impeachment.

Sabemos que há corrupção no governo Dilma. Também havia nos governos anteriores. Semelhanças à parte, nada se comprovou quanto a participação da Presidenta, nem antes e, especialmente, após a eleição, até o momento.

Eu votei pela mudança porque não concordava com a gestão econômica do país, principalmente. Ainda discordo, hoje menos, é verdade. Nunca cultivei a ideia que a oposição traria um hiato de corrupção. Seria ilusão demais para alguém com mais de trinta anos.

Embora o remédio que esteja sendo usado nesse começo de mandato seja muito amargo, acredito que dessa forma o paciente terá recuperação com algumas sequelas mais persistentes, em dois ou três anos. Não muito diferente do que aconteceria se a vitória tivesse sido da oposição com a ressalva de que ela não contribuiu ativamente para criar a situação que hoje impera e tinha entre as suas propostas, diversas mudanças que combinadas atenuariam esse tempo. Como sabem, a soberania das urnas não quis assim e o "se" nunca governará.

Enquanto a Dilma não estiver diretamente vinculada as acusações de corrupção, nos resta paciência. Para os que não votaram nela ainda mais. Aguardar os quatro anos passarem se o que estiver em jogo é a avaliação da gestão do seu governo. Simples assim, penso eu. Afinal, repito, foi escolha da maioria.

As gritas pelo aumento dos juros, dos combustíveis, da luz, da inflação, do descontrole das contas públicas são inoportunas, pois foram temas amplamente suscitados ao debate no período eleitoral pela oposição. Dilma refutou. Negou este debate e o dos números. Preferiu o discurso elaborado pelo marqueteiro a confrontar a realidade do seu mandato. Recebeu aplausos e votos por essa atitude.

Tem mais. Não importa quem fosse o vitorioso naquele momento, as medidas seriam muito parecidas às atuais. Talvez um pouco mais brandas, por fazerem parte de um projeto que não foi feito às pressas como sugere essa mudança de discurso da Presidenta. Nada disso estava no seu plano de governo. Arrisco dizer que com algumas alterações mais cruéis ao cidadão seria uma cópia do plano de governo da oposição. Pensando dessa forma fica até mais compreensível seu desconforto durante os debates. Ela sabia que estava desviando da verdade.

O governo está fazendo o conserto do seu próprio estrago, vai custar muito caro. Podia ter sido evitado. Sim, podia. Agora, não mais. Enquanto era uma fissura fizeram vistas grossas. Negaram o problema com veemência. Infelizmente os estragos chegaram as fundações. O custo se multiplicou. A obra superfaturou. Déjà Vu.

Por tudo isso não quero o impeachment. Exceto se sobrevier novidade na participação da Dilma no esquema de corrupção. Este modelo de gestão foi aprovado nas urnas. Gostem ou não.

A liberdade de escolha não tem preço. Tem consequência. Como tudo. E só na democracia a consequência tem prazo certo. Por isso prefiro a democracia.